Sobre as Bicicletas e a Mobilidade

A bicicleta, enquanto meio de transporte, é utilizada há algumas boas décadas e, econômica
e ambientalmente, ainda é a melhor opção para locomoções de até 7 km. Não é função desse
artigo aprofundar-se na história da bicicleta ou em questões políticas de transporte não-
motorizado e mobilidade, mas sim, proporcionar um quadro geral da situação desse modelo
de transporte em ambientes urbanos – mais precisamente na Região Metropolitana de São Paulo.

Na Região Metropolitana de São Paulo, temos um total de 38,1 milhões de viagens por dia, dos
quais 14,48 milhões são por modos não-motorizados; sendo que aproximadamente 304mil
viagens são de bicicleta. Das viagens feitas por bicicleta, 57% delas são feitas devido à curta
distância entre os destinos e 22% devido ao alto custo das alternativas de condução*.

Em um ambiente onde a velocidade média de um automóvel é de 17 km/h, do transporte
coletivo 13 km/h e do pedestre, cerca de 3 km/h; o uso da bicicleta torna-se bastante viável,
uma vez que sua velocidade média – para um usuário regular que não quer se cansar – é de
15 km/h. Considerando o alto nível de despesas relacionadas ao carro como combustível,
estacionamento e IPVA, ponderando o custo crescente das tarifas do transporte público, sem
mencionar o cansaço físico e emocional de encontrar-se preso no trânsito e/ou dentro de um
ônibus lotado, é fácil compreender o aumento de mais de 100% no uso da magrela como meio
de transporte nos últimos 10 anos.

A preocupação pelo modo como o cidadão se relaciona com sua cidade, tem sido o grande
fator de mudança das políticas de mobilidade adotadas em outros países, tanto da América do
Sul, como na Europa e Estados Unidos. Observou-se nesses lugares que o fator tempo não era
o mais importante, mas sim o fator percepção. Alguém que, ao se deslocar dentro da cidade,
não tenha a possibilidade de perceber as pessoas, o comércio e as áreas verdes à sua volta,
simplesmente transita do ponto A ao ponto B fechada em seu mundo. Essa pessoa não se relaciona com a cidade, pois passa por ela sem perceber o que ela lhe oferece.

Por isso vemos em cidades como Amsterdam e, mais recentemente, Nova York uma grande
preocupação com calçadas para pedestres, compartilhamento das vias com automóveis,
ônibus e bicicletas além da redução da velocidade máxima nessas vias. Semáforos para pedestres com tempo suficiente e de sobra para uma travessia segura e calma, placas de sinalização para pedestres e ciclistas separadas das placas de sinalização para automóveis são apenas dois exemplos de pequenas medidas adotadas que agregam valor e muita segurança para o transporte não-motorizado. Com isso, há o aumento gradual desse tipo de viagem,
proporcionando um melhor relacionamento das pessoas com sua cidade.

Pensando nesses exemplos e no crescimento do número de ciclistas na cidade, é impossível
não entusiasmar-se com o futuro que se constrói a diante. Uma cidade mais humana é
possível, (sendo um tanto quanto otimista) basta humanizar o meio como os habitantes se
locomovem nela.

_______________________________

* Fonte; Pesquisa OD 2007 do Metrô

Por: Ricardo Mencaraglia

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