O sol como propulsor de empregos

A dona do Sol

No final de 2010, fez sucesso nas mídias sociais a historia da espanhola Angelas Duran, 49 anos, que reivindicava a posse do Sol. Ela havia registrado no cartório a propriedade do nosso maior Astro, o que a garantiria o direito de receber uma taxa, cada vez que alguém, usasse a energia solar. Da receita, 90% iriam para financiar governos e campanhas sociais, e os 10% restantes, é claro, para o bolso dela. Segundo a empreendedora: “Eu fiz, mas qualquer um poderia ter feito. Simplesmente me ocorreu primeiro.”
A hilária historia acima me faz refletir em dois pontos: Primeiro, que realmente há maluco para tudo… Segundo, de fato energia solar possui potencial gigantesco de gerar receita, não para uma, mas para milhares de pessoas em nosso país. No entanto, o ponto crucial é que ainda falta inciativa do governo em promover programas de capacitação técnica.
De acordo com CGEE (2009) Nota Técnica “Incentivo ao mercado de energia fotovoltaica no Brasil” pode-se considerar que 10 empregos são criados para cada MWh produzido e 33 para cada MW instalado. As fontes renováveis, em especial a solar fotovoltaica, geram mais empregos diretos que as não renováveis, como pode ser visto no quadro abaixo:


Nos EUA, segundo a publicação da National Solar Jobs Census 2011, a indústria solar norte americana produz cerca de 100 mil empregos diretos, sendo que a maior parte concentrada em empresas de instalação dos sistemas fotovoltaicos. Já, a U.S Solar Market Insight 2011, considera uma estimativa de oferta de 55 empregos por MW, na ordem de 1.800MW instalados no EUA. São números consideráveis.
É interessante observar que a maior parte dos empregos concentra-se em serviços e não, por exemplo, na fabricação dos painéis que possuem elevado grau de automação. O gráfico a seguir, confirma esse fato e nos proporciona a intuição de que algo bem parecido pode ocorrer no Brasil:

Mas como realmente chegar próximo ou mesmo superar essa expectativa? Infelizmente caímos na incerteza quanto à existência de mão de obra qualificada para suprir um mercado que se esforça para nascer e depende de certo grau de especialização do trabalhador. É imprescindível que o governo e a indústria compreendam que o ponto crítico para o sucesso está na qualificação do técnico da instalação. Se os projetos não tiverem qualidade haverá uma rejeição enorme do consumidor. Tivemos a infelicidade de observar esse fato, por exemplo, na indústria de solar térmico (para aquecimento de água com fins sanitários), no Rio de Janeiro, nos anos 90. Além de na época a tecnologia ser frágil, as instalações eram feitas de tal forma que criavam inúmeros problemas, como desde não esquentar suficientemente a água, a até provocar problemas estruturais nos telhados, que chegavam a alguns casos, a serem arrancados com os ventos mais fortes.
É imprescindível a criação de cursos específicos de solar que tenham certificação do MEC, e que deem continuidade aos respectivos graus de formação profissional. Por exemplo, os responsáveis e planejadores dos projetos devem ser engenheiros portadores do CREA, com a capacidade de fazer cálculo estrutural (para fazer o projeto de fixação dos painéis), e com curso de extensão em fotovoltaica, que lhe deem a capacidade de avaliar a viabilidade econômica dos projetos. Já o nível técnico, que serão os instaladores, e onde mora o maior potencial de geração de empregos, devem receber um curso que complemente a formação de eletricista predial com seus devidos treinamentos em segurança.
Não tem mistério, apenas conseguiremos atingir a tão sonhada Economia Verde se tivermos produtos e serviços que tenham competitividade. E nisso não tem jeito, só se alcança com mão de obra qualificada que garanta qualidade. O setor de energia renovável já emprega no mundo cerca de 5 milhões de trabalhadores provando seu enorme potencial. Uma vez que o quadro apresentado acima, do ilustre Professor Goldemberg, estiver correto, se o governo brasileiro não começar a incentivar cursos específicos de fotovoltaico em escolas técnicas, tipo os “SEBRAES da vida”, e priorizar o assunto nas suas universidades, estará cometendo um dos maiores desperdícios em termos de políticas de ampliação de mercado de trabalho. Que o sol brilhe, e para muitos!

Referências:
1) PSR Consultoria
2) Carta do Sol, Relatório técnico para o Planejamento da Promoção da Energia Solar fotovoltaica no Brasil

Anúncios
1 comentário
  1. Bruno Corsi Luiz disse:

    Ola Bom dia ,meu nome Bruno fiz um curso profissionalizante em instalador tecnico em paineis fotovoltaicos aqui na Italia , estou pensando em voltar para o Brasil , e gostaria de saber quais sao as provabiliades de arrumar empregos neste setor . se esta crescendo? Obrigado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: