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Meio Ambiente

Reunião global traz líderes de 186 países para discutir futuro da ‘economia verde’. (Foto: EFE)

Nesta quarta-feira, 13 de junho de 2012, começamos a escrever um novo caminho rumo ao desenvolvimento sustentável do nosso planeta. É o início dos eventos que formam a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece até o dia 22, na cidade do Rio de Janeiro. Milhares de pessoas preocupadas com o futuro de animais, água, cidades e economia, discutem alternativas possíveis para propiciar o desenvolvimento sem colocar o meio ambiente em risco, ao contrário do que estamos fazendo há décadas.

“Meio ambiente não é um adereço. O meio ambiente faz parte da visão de incluir, da visão de crescer, porque, em todas elas, nós queremos que esteja integrado o sentido de preservar e conservar”, disse a presidenta Dilma Rousseff no discurso de inauguração do Pavilhão Brasil, espaço que apresenta as políticas brasileiras no evento.

Com esse pensamento, a UNIC Rio e o CNO/Rio+20 lançam a campanha “Eu sou nós” (vídeo abaixo) questionando a todos: qual o futuro que queremos? Mais degradações, engarrafamentos e péssima qualidade de vida? ou cidades mais humanas e saudáveis para nossos filhos? Reflita, responda e exponha suas ideias na Rio+20. É a hora de escolher o futuro que queremos!

Etapas da Rio+20

A conferência pode ser dividida em três grandes momentos. Nestes primeiros dias, de 13 a 15, representantes governamentais vão elaborar documentos que serão examinados pelos presidentes e primeiros-ministros membros da ONU.

Na segunda rodada, de 16 a 19, representantes de ONGs e universidades participam de mesas de discussões, com o objetivo de buscar alternativas sobre políticas sociais que incentivem o desenvolvimento sustentável e a economia verde, através dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável.

Nos últimos dias de conferência, de 20 a 22, chefes de Estado e de Governo dos países membros da ONU se reunirão para analisar os documentos elaborados durante a Rio+20 e definir um texto final de propostas.

Artigo publicado no TheCityFixBrasil.com em 13/06/2012.

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No vôo em que eu viajava rumo à COP17, a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU que aconteceu na cidade de Durban (África do Sul) no final de 2011, o comissário de bordo se aproximou cordialmente do meu assento e perguntou, em inglês: “o senhor solicitou refeição vegetariana estrita, correto?”

Fiquei feliz de lembrar que aquela companhia me havia oferecido esta opção, o que tornava minha postura em comparecer à COP17 e debater o aquecimento global um pouco mais coerente.

Segundo um estudo da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a agricultura animal — entendida como todo o setor econômico dedicado à produção de carnes, leite e ovos — responde por aproximadamente 18% de todas as emissões de gases do efeito estufa geradas por atividades humanas.

Esta constatação tem — ou deveria ter — numerosas implicações no âmbito das políticas públicas e das negociações internacionais como a COP, colocando o setor da agricultura animal no topo da escala de prioridade dos governos, junto ao setor energético, florestal e de transportes. No âmbito individual, entretanto, a conclusão é muito mais direta: reduzir o consumo de carnes, laticínios e ovos pode ser uma medida poderosa na redução da nossa contribuição para as mudanças climáticas.

Mas é claro que a agricultura, assim como praticamente qualquer atividade econômica, emite gases do efeito estufa. Produzimos alimentos — não apenas carne — em larga escala para uma população global que caminha para atingir os nove bilhões em 2050. Por que, então, esse alarde todo em relação à agricultura animal, especialmente, e não tanto à agricultura em geral?

Dados da FAO indicam que mais da metade do milho e do sorgo produzidos globalmente são usados na alimentação de animais criados para consumo, bem como praticamente todo o farelo de soja. Em poucas palavras, isso significa que os latifúndios alimentam o gado, não as pessoas. E o gado, então, a uma eficiência muito inferior e a um custo muito mais alto, alimenta as pessoas. O que os estudos recentes têm feito é internalizar todas estas emissões — desde a fabricação dos fertilizantes para produzir a ração do frango, passando pelo desmatamento para abrir pasto para o boi, até o caminhão frigorífico que transporta a carne e os laticínios —, aproximando-se mais da correta responsabilização ambiental do setor.

De posse destas informações, e se eu queria sob qualquer hipótese considerar-me um ambientalista coerente, havia de procurar refeições vegetarianas — pensei enquanto entrava no centro de convenções da conferência em Durban. A maioria dos delegados não parecia ter atinado e comia cheeseburguers despreocupadamente. Dez metros adiante, encontrei uma lanchonete que vendia sanduíche de falafel, um delicioso prato árabe à base de grão-de-bico. Não foi tão difícil.

Aqui no Brasil, alguns amigos comentam que não estão prontos para se tornar vegetarianos. Peço-lhes que percebam que a decisão sobre comer produtos animais não é uma proposição do tipo “tudo ou nada”. Mariana adota o estilo de vida vegano e se abstém de quaisquer produtos animais, mas aquela amiga dela ainda come carne às vezes. Meu irmão decidiu que esse ano cortaria ao menos pela metade o seu consumo de carne e também de queijo, enquanto que Vinicius apenas segue a proposta da “segunda sem carne”.

E todos os outros estágios intermediários são possíveis e podem ser interessantes. Umrelatório elaborado em 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambienteconcluiu que uma redução substancial dos impactos da agricultura seria apenas possível com uma mudança substancial de dieta em todo o mundo, distanciando-se dos produtos animais. Me parece que mudar a nossa própria dieta é um bom começo.

Voltando da conferência, após terminar a mais saborosa refeição de avião que já tive — risoto de cogumelos —, me ocorreu de repente que a queima do combustível do meu longo vôo certamente estava gerando uma poluição considerável. Evitá-la seria difícil, já que o mesmo percurso por qualquer meio alternativo demoraria pelo menos vinte vezes mais. Buscar refeições vegetarianas foi muito, muito mais fácil. E possivelmente mais eficaz.

À medida que a Rio+20 se aproxima mais e mais, fortalecem-se as articulações em prol de discussões realmente pertinentes, importantes e honestas nesta que será a maior conferência da ONU de todos os tempos.

Em um evento organizado pelo movimento Rio+Você, uma articulação chamada Rio+Veg gravou entrevistas a várias pessoas engajadas em movimentos socioambientais — inclusive autores do blog O Que Fazer Para Mudar — respondendo à seguinte pergunta: “Você acha que a alimentação vegetariana deveria estar na pauta da Rio+20? Por que?”. As respostas, ricas e diversas, propõem várias razões pelas quais essa questão é tão importante para o desenvolvimento sustentável.

Assista ao vídeo abaixo ou no Youtube.

 

Desde a semana passada, vejo pessoas compartilhando no Facebook a entrevista do professor de Geografia da USP Ricardo Augusto Felício para o Jô Soares. Geralmente, prefiro não opinar nos murais alheios, porém não pude ficar quieta diante dessa entrevista.

Abaixo reproduzo diálogo (com algumas edições para ficar mais “blogável”) no mural de um dos inúmeros amigos que está espalhando esse vídeo por aí.

Eu: “Essa entrevista é bizarra! Dei uma busca no Google sobre esse professor e as únicas referências que aparecem sobre ele são justamente essa entrevista. Onde a Globo foi chamar esse cara e por que resolveu chamá-lo? Além de ficar rindo o tempo inteiro, a argumentação dele é muito fraca! Estou aberta a ouvir bons discursos questionando a origem antropogênica das mudanças climáticas, mas ele não fala nada! Além disso, o Jô Soares mistura 2012 com aquecimento global, propagando ainda mais o catastrofismo que pessoas que trabalham seriamente com esse assunto tentam evitar. Ele pergunta num certo momento se a Amazônia é o pulmão do mundo, o que mostra claramente que ele não sabe nada sobre o assunto e que nem pautado antes da entrevista foi. Minha conclusão é que ele foi chamado no programa porque o Jô Soares queria fazer piada sobre o aquecimento global. Não dá pra levar esse professor a sério em nenhum momento. Lê esse artigo, é bem interessante”

Ele: “Concordo que o cara não argumentou muito. Mas sei que há vários outros cientistas que questionam as evidências científicas sobre o aquecimento global. Como não entendo nada de ciência climática, para mim é muito difícil tomar uma posição no debate. Eu prefiro ter um pé atrás em relação aos dois lados. Já com relação às implicações do debate em termos de política internacional eu já entendo um pouco melhor e acho que muitas vezes, o argumento do aquecimento global é usado para prejudicar o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos.”

Eu: “Lê esse artigo que eu te mandei, ele fala justamente sobre o fato de que não adianta os cientistas falarem que as mudanças climáticas não são uma questão de fé (acreditar ou não), mas sim de observação científica e evidências porque as pessoas só vão acreditar nisso se estiver de acordo com a visão de mundo que elas têm (como qualquer outro assunto). A grande maioria da comunidade científica não contesta o fato de que as mudanças climáticas estão acontecendo e tem influência das atividades humanas, porém a grande mídia dá o mesmo espaço para os dois lados como se houvesse um equilíbrio entre eles e como se esse debate não tivesse sido superado. A maior parte dos ditos “céticos” são financiados pela indústria de carvão e petróleo. É uma questão muito complexa, há muitas incertezas, mas elas estão principalmente relacionadas à magnitude dos impactos, não sobre se está acontecendo ou não. Por exemplo, o derretimento do gelo do Ártico está acontecendo até mais rápido do que o cenário mais pessimista. Sobre a política internacional que eu acompanho há um tempo já, as negociações estão praticamente paradas desde então porque os países desenvolvidos que tiveram a maior contribuição histórica na emissão de gases de efeito estufa não querem assumir compromissos ambiciosos de redução de emissões. No caso dos EUA (maior emissor histórico e que nunca ratificou o Protocolo de Quioto), por exemplo, eles dizem que só vão assumir compromisso se a China (que é o maior emissor atual) também assumir o mesmo compromisso que eles. Isso, obviamente, não tem cabimento até porque a Convenção de Clima tem como um de seus princípios, o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, ou seja, todos os países têm que fazer algo para combater as mudanças climáticas, mas de acordo com as suas respectivas responsabilidades e capacidades e também respeitando seu direito ao desenvolvimento (mas que esse desenvolvimento não aconteça com uma economia baseada em combustíveis fósseis e desmatamento e que os países desenvolvidos financiem essa transição para outro modelo de desenvolvimento dos outros países). Depois de Copenhague, foi criado um Fundo Verde Climático para os países desenvolvidos financiarem a adaptação e a mitigação dos países em desenvolvimento, mas até hoje não existe dinheiro porque os ricos ficam estabelecendo uma série de condicionalidades para colocarem o dinheiro na mesa e, do outro lado, há a cautela de que esse dinheiro não seja desviado de outros fundos de desenvolvimento e ajuda internacional e que não seja o Banco Mundial a administrar esse fundo. Não gosto desse argumento de que o aquecimento global é usado para prejudicar o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. É muito simplista e parece que voltamos para Estocolmo em 1972 quando o Brasil disse que todas as indústrias poluidoras poderiam vir soltar fumaça no Brasil.”

Ainda sobre esse assunto, recomendo a leitura desse post no blog Entre Colchetes do jornalista Claudio Angelo.

Ontem foi publicada uma notícia, no site do jornal Estado de São Paulo (aqui), relatando que apesar da entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos há dois anos (mais precisamente, no final de 2010), cerca de 23,3 milhões de toneladas de resíduos são destinadas incorretamente – em outras palavras, não sofrem tratamento ou qualquer controle e apenas são depositados em lixões comuns. Os dados foram publicados no Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil em 2011 (disponível para download aqui).

De fato, a indignação é válida. A Lei 12305/10, que dispõe sobre a supracitada política, é muito clara em seus princípios, diretrizes e objetivos. A competência atribuída aos municípios pela gestão de seus resíduos sólidos, bem como a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento do que produziu está lá pra todo mundo ver. Ocorre que uma leitura atenta desse diploma legal e a análise das circunstâncias atuais nas quais se inserem os resultados escabrosos denunciados no programa demonstram um vício muito comum na maioria das políticas que hoje se voltam à questão ambiental, principalmente quando da sua implementação: seu caráter remediador, paliativo.

Há diversos tópicos que tratam da responsabilidade compartilhada do “ciclo de vida dos produtos” e do ressarcimento ao Poder Público dos gastos por este aplicados para lidar com danos ambientais causados pelos responsáveis, e são esses os mais visados quando o problema já aconteceu. Tudo muito bonito e bacana. Mas as coisas devem ser vistas por outra perspectiva: qual é a real transformação que possa ser causada por medidas sancionadoras? Por óbvio, elas são importantes para garantir que o poluidor arque com as consequências por ele próprio causadas; porém não se pode esperar que daí surjam medidas protetivas e preventivas que, de fato, tenham poder de formar uma nova política de destinação adequada de resíduos sólidos.

Gente, não adianta nada um documento super legal que apenas vê aplicabilidade nos tópicos destinados à repressão e manejo de atitudes incorretas e acidentes. Não podemos só apontar culpados, mas garantir que os responsáveis ajam como devem em suas práticas cotidianas. Existe uma série de medidas previstas no Plano que, voltadas para alguns dos princípios fundamentais do Direito Ambiental – a saber, a prevenção, a precaução e o desenvolvimento sustentável -, permitem uma mudança (ainda que lenta e gradual) da estrutura do sistema de destinação de resíduos sólidos presente nos municípios. Mas isso é mais difícil de se fazer e a vontade política para se realizar tal reformulação usualmente é nula. Chorar pelo leite derramado é não apenas ineficiente como politicamente conveniente.

É necessário que os municípios, em seu plano efetivo de gestão integrada de resíduos, não apenas nos mostrem o tamanho do problema. Seu poder é gestor, portanto a todo momento devem administrar não apenas pra onde o lixo vai, mas como ele é produzido e de que forma lidamos com ele. É seu dever: prever áreas que possam abarcar uma destinação ambientalmente adequada desse lixo; cuidar para que o material despejado seja realmente selecionado, de modo a se excluir o que possa ser submetido a compostagem ou reciclagem; e, dentre outros, implementar programas e ações de educação ambiental, não apenas para cooperativas de catadores de materiais recicláveis ou funcionários de serviços públicos de coleta de lixo, mas também para cidadãos comuns e membros do empresariado.

Sem falar que o nosso direito à informação e ao controle social está lá, no artigo 6°, X da Lei. Mas esse direito não abarca somente o conhecimento do tamanho do problema, mas também do que pode ser feito para evita-lo. Envolve ter acesso às prestações de contas dos governos municipais sobre o que estão fazendo, no dia-a-dia, pra mudar seus modus operandi e poder para exigir que determinadas medidas – previstas em lei – sejam postas em prática.

Cidadania não é só ceder seu assento no metrô pra uma grávida ou idoso. É também o exercício de direitos, dentre eles o de manifestação de preferências através de ação individual ou coletiva e o de participação nas tomadas de decisão dos governos. Eles estão lá por e para você.

O princípio básico do consumo consciente sugere que a forma com que cada cidadão usa o seu dinheiro pode direcionar a forma com que o mercado opera. É simples: se você compra roupas de uma certa marca, você estimula a produção e a cadeia de fornecimento de roupas daquela marca. E isso vale para qualquer produto ou serviço que você for capaz de imaginar.

Entretanto, o consumidor brasileiro ainda se preocupa muito pouco com as potenciais implicações éticas das suas compras. Ser um consumidor mais responsável não é muito difícil. Basta um mínimo de pesquisa e, acima de tudo, honestidade consigo mesmo.

Em linhas gerais, devemos fazer a nós mesmos umas poucas perguntas muito simples para averiguar quais as possíveis implicações éticas em adquirir um bem ou serviço. Uma das perguntas mais importantes é: “Alguém foi submetido a violência para que eu pudesse adquirir isso?”

Seduzidos pelo preço, pela aparência e pelo desejo de tornar nossas vidas mais fáceis e prazerosas, tendemos a nos abster de tal responsabilidade. Mas não podemos pular esse passo nas nossas decisões de compra. Pular esse passo significa resignar-se à ignorância e recusar-se a tentar corrigir nossos hábitos de consumo de forma a torná-los mais coerentes com os nossos próprios princípios e valores. Uma verdadeira covardia.

Ao passar displicentemente no caixa, confirmando tal recusa, tomamos decisões que podem efetivamente financiar a violência. Neste momento — o momento da compra — o cidadão inocente e bem intencionado torna-se aquele que violenta. Aquele que bate, escraviza, devasta, confina, explora e mata. Seja uma peça de roupa produzida com trabalho escravo, um pedaço de carne produzido com crueldade a animais ou um móvel produzido a partir de desmatamento ilegal, o consumidor torna-se o mandante do crime.

Evidentemente, o consumo ético e não-violento pode encontrar limitações. Um consumidor consciente poderia, por exemplo, buscar e não encontrar informações confiáveis sobre determinada cadeia produtiva. Em outro caso, alguém poderia alegar que é difícil escolher porque todas as empresas fazem algo de errado. No entanto, tais limitações não nos eximem da responsabilidade de fazer o possível e praticável para minimizar a nossa contribuição financeira para processos injustos ou violentos.

Se de fato pretendemos construir um mundo menos violento nas próximas décadas, não basta evitar guerras entre nações e resolver pacificamente conflitos pessoais. Precisamos também — para ontem — promover a não-violência através das relações de mercado, escolhendo conscientemente o que comemos, o que vestimos e a quem compramos.

Olá pessoal,

Este é um espaço para mentes jovens de todas as idades trocarem idéias e propostas sobre como construir agora e para todos um mundo verdadeiramente justo, inclusivo e sustentável.

Textos próprios, notícias, imagens, vídeos, links… Tem espaço para tudo! Contanto que vá além da teoria e também fale da transformação na prática, e que ajude a trazer “pra dentro da kombi” gente nova que ainda não está muito envolvida ou engajada.

E vamos que vamos!